envolta em uma atmosfera lânguida. a velha conhecida sensação de premonição, de espera. vontade de ser outra e ao mesmo tempo eu mesma. sem essa casca. arrancar a pele e deixar à mostra a carne feito polpa de fruta carnuda, suculenta, suco com gosto de sangue e imprudências. meus pensamentos vagam e não existe direção definida. eu vou e volto. a música que estou ouvindo me transporta, é sexy, me estimula. se eu fecho os olhos por um instante, vivo cem coisas em um segundo. e quase posso tocar o que penso. tudo é grande. por dentro eu sou imensa. como um espaço, um vácuo, um buraco negro na constelação. mas não me espalho a ponto de me perder. algum fio invisível me prende a um resquício qualquer de realidade. e é segura nele que sigo os dias. ou sou por eles perseguida e invadida. até que eles me absorvam e eu me esqueça do vácuo e do espaço e do buraco negro. pra depois voltar. como a sístole a diástole. estou cercada de gentes e de coisas e por dentro eu sou um emaranhado só, um emaranhado de partes de mim. aquela frase de bukowski disse tudo: das leituras eu não gosto. é o tipo da bobagem. que nem abrir vala. só serve pra sobreviver.